Quintana

Um poema que não te ajude
a viver e não
saiba preparar-te para a
morte não tem
sentido: é um pobre
chocalho de palavras.

Mário Quintana

terça-feira, 12 de junho de 2012

O céu de abril

De tanto céu me perdi
num abril de azul incomum.
De tanto azul me encontrei
olhando pra lugar nenhum.

Esse lugar de azul incomum
que o céu espelha e reluz,
nasceu num domingo de abril
de um céu clarinho de luz.

E a luz desse céu que estreaste
na páscoa de um abril mais distante
permanece até hoje brilhando
do mesmo jeitinho. É constante.

E sei que nesse azul encontrei
o melhor lugar pra eu ficar:
pertinho dos céus de abril
bem dentro do teu doce olhar.

João Luiz de Oliveira ( Para Glória)

sábado, 12 de maio de 2012

A vida continua



Imagine que você está à beira- mar e vê um navio partindo.

Você fica olhando, enquanto ele vai se afastando,

cada vez mais longe...

até que finalmente parece apenas um ponto no horizonte

- Lá, onde mar e céu se encontram.

E você diz: ”Pronto, ele se foi.”



Foi aonde?

Foi a um lugar que sua vista não alcança.

Só isso.



Ele continua tão grande, tão bonito

e tão importante como era

quando estava perto de você.

A dimensão diminuída está em você, não nele.



E naquele exato momento em que você está dizendo

“ele se foi” há outros olhos vendo-o aproximar-se

E outras vozes, exclamando com júbilo:

“Ele está chegando!”



                                                                                 (Autor desconhecido)


terça-feira, 1 de maio de 2012

Sonho ou pesadelo?

O meu corpo rolou…Metros, quilômetros, durante um tempo incontável…
Não sei bem a altura.
Não sei bem a distância.
Rolou como um pacote jogado do alto de um precipício…
Rolou como uma bola meio quadrada que resiste ao cair
e não percebe que alguns ângulos lhe foram esmagados,
triturados, algumas pontas quebradas…
Até que passado algumas dezenas de metros,
o meu corpo parou fincado numa grande pedra redonda que me recordou
o útero de minha mãe e me vi encolhida na posição fetal com
uma leve esperança de nascer outra vez……………………..
……………………………………………………………………..

De onde vim?
Onde e como terminará ?
Onde o ponto inicial, como tudo começou?
Por que me jogaram aqui?
Por que deixei que me jogassem?
Aconchego-me nessa pedra dura que agora me acolhe
e me serve de suporte e amparo.
Aguardo o momento para certamente começar tudo de novo.
Outros precipícios virão…
Quem sabe então, dessa vez,
o meu corpo como num passo de mágica
comece a voar?!....
(27-12-2009)                                                        Célia Cavalcanti
                                               

terça-feira, 6 de setembro de 2011

O que vi na água e...


 “O que vi na água e
                                           o que a água me deu”
                                                     Frida Kahlo




Na minha água de origem
Inda no ventre da mãe
Vi com meus olhos de pele,
Meus brutos olhos virgens
E sãos,
A paz.


Sem dor, nem problemas
Sem dúvida ou fome
Nem mulher, nem homem
Flutuante emblema
De paz.


E o que me  trouxe a água
Quando, me expulsou?
Dúvidas, problemas, fome,
Sede, prazer e medo
Luta, beleza e dor.
                                                                              ( Regina Carvalho )

sábado, 6 de agosto de 2011

Solidão

Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... Isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar.... Isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida. .. Isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma....


Fatima Irene Pinto

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Ninguém é substituível...


“Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!" 
Fernando Pessoa

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Apenas diferente


                       
          Sou diferente de você
          Não sou nem pior ou melhor,apenas diferente.
          Venho de outro lugar,
          conheço outros caminhos,
          busco outros horizontes...
          Mas não sou pior nem  melhor,apenas diferente.
          Falo outra língua,
          tenho outros costumes,
          outros valores e comportamentos...
          Mas não sou pior ou melhor, apenas diferente.
          Minha pele pertence a outra raça,
          minhas roupas têm outro colorido,
          meus olhos e cabelos outro tom...
          Mas não sou pior ou melhor,apenas diferente.
          Carrego outra bandeira,
          reverencio outro hino,
          homenageio outros heróis...
          Mas não sou pior nem melhor, apenas diferente.
          Cultuo outro Deus,
           rezo outras orações,
           outra é minha religião...
           mas não sou pior  nem melhor, apenas diferente. 
           Sou estrangeiro,
           nasci em outro país, outro continente,
           enterrei outros mortos em outra terras...
           Mas não sou pior nem melhor, apenas diferente.
                          ( Alfredo J. Gonçalves )

domingo, 21 de novembro de 2010

Balões


Que semelhança entre os balões  e a vida?
São todos feitos para o mesmo fim...
Todos são feitos para a mesma lida:
Balões de seda e de papel cetim!

Pensando às vezes, fico entristecida...
Balões de vento, como sobem assim...
Minh’alma fica como que perdida,
Quando eles sobem, a se afastar de mim.

Descanso a vista nos balões queimados,
Demoro os olhos nos balões parados,
Enquanto os outros se sumindo vão...

...Eu sinto a vida nos balões que passam,
Que sobem, fogem... Que se queimam e esgarçam...
...E a vida eu fico a procurar em vão...


                          (Falira ) 1900/1950
                         Josefa Lira Cavalcanti – poetisa pernambucana

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A Companheira

Eu quis chegar ao pico da montanha acreditando ser o ponto mais alto… Que nada,quando lá cheguei, vi que faltava muito para alcançá-lo…
Eu quis subir mais, não medir forças. Ultrapassei as nuvens mas não pude tocá-las…
Eu quis ser música suave para os outros, mas eram todos surdos…Eu quis dar amor,mas onde estava? Procurei-o  e  sem achá-lo tentei encontrar dentro de mim…Mas a busca foi em vão… Decidi por ver alguém sorrir, mas nesse mar de opressão , de angustia que o mundo oferece, ficou  difícil…Foi quando então tentei ser a paz, ser a alegria e me vi no mesmo ponto.
Por fim, resolvi acompanhar a solidão, qual não foi minha surpresa quando percebi ser ela minha companheira. 
(Célia Cavalcanti)

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Quanto tempo!!!


Passaram horas, dias, meses, anos e você perdido nesse tempo...

Quantos natais? Quantos carnavais? Quantas copas, quantas olimpíadas...Quanta folia, quanta agonia vivida, e você ? Perdido nesse tempo...
Quantos nascimentos, quantas mortes, quantas realidades, quanto desprazer... Quantos ganhos, quantas perdas... Tantos acontecimentos, tantas alegrias, tantos sonhos realizados, tanta tristeza vivida e você? Perdido nesse tempo...
Quantas lágrimas, quantas dúvidas, quantas perguntas, incertezas... E você ? Perdido nesse tempo. Navegando em mares sem bússola e sem rádio. Caminhando nesse deserto que é a vida, sem deixar nenhum rastro, pois o amigo vento tornara-se um aliado seu...Assim você queria, assim você quis.
A procura foi grande. A espera maior ainda...
Hoje você aparece depois do relógio ter marcado muitas e muitas horas.
A emoção é grande. Um tempo para voltar. Hoje é real. Você voltou pelos próprios pés...Não foi encontrado. Hoje, você quis voltar.
                                                    (Célia Cavalcanti)


( Na volta do meu irmão desaparecido por muitos,muitos anos )

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Plantador de sorrisos

Eu já dei risada até a barriga doer...Já nadei até perder o fôlego...
Já chorei até dormir e acordei com o rosto desfigurado.
Já fiz cócegas na minha irmã...Já me queimei brincando com vela.
Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto.
Já conversei com o espelho, e até já brinquei de bruxa.
Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista.
Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés para fora.
Já passei trote por telefone!Já tomei banho de chuva!
Já roubei beijo. Já fiz confidências pro melhor amigo...
Já confundi sentimentos. Peguei atalho errado
e continuo andando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da tigela de bolo... Já me cortei fazendo a barba
Já chorei ouvindo música. Já tentei esquecer algumas pessoas,
mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer.
Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas!
Já subi em árvore pra roubar fruta...Já caí de bunda no chão.
Conheci a morte de perto, e agora anseio por viver cada dia.
Já fiz juras eternas...Já escrevi no muro da escola...
Já chorei sentado no chão do banheiro...
Já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante...
Já saí pra caminhar sem rumo, sem nada na cabeça, ouvindo estrelas.
Já corri para não deixar alguém chorando...
Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só.
Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado...
Já me joguei na piscina sem vontade de voltar!
Já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.
Já senti medo do escuro... Já tremi de nervoso... Já quase morri de amor...
Mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial.
Já apostei em correr descalço na rua! Já gritei de felicidade...
Já roubei rosas num jardim. Já me apaixonei e achei que era para sempre...
Já deitei na grama de madrugada e vi a lua virar sol...
Já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos,
e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.
Foram tantas coisas feitas...
Momentos fotografados pelas lentes da emoção,
guardados num baú, chamado coração.
E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita:
- Qual sua experiência?
Essa pergunta ecoa no meu cérebro:
Experiência, experiência...
Será que ser "plantador de sorrisos" é uma boa experiência?
Não!!!
Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!
                                                                  ( Marcio Callais )

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Será mesmo assim?



         Fim da estrada?
         Será???....
         Quando a imagem enfim vai se esmaecendo lentamente
         até que fique apenas o branco da tela?
         Será mesmo assim? Tudo fica branco?…
         A página em branco sem nenhum traço, nenhuma pista?
         Já ouvi falar que a presença de uma luz muito forte
         torna tudo branco…
         Dizem até que é assim que os cegos enxergam.
         Tudo branco. Uma luz muito forte, cegou
         o grande apóstolo Paulo quando perseguia Jesus.
         E foi ali que ele enxergou de verdade.
         Mas será exatamente assim o fim?
         Restará o branco da tela, apenas?
         Depois de tanto esforço,tanta luta,
         tantos inícios e reinícios…
         Somente uma tela branca?
         Nada mais?...........................................................
        Não, não pode ser exatamente assim…
        Quem sabe, aquela tela, depois de algum tempo,
        apresentará um número interminável de páginas escritas…
        Capítulos, vistas deslumbrantes…
        Belezas que olhos humanos jamais viram antes..!
        Quem sabe não apresentará um espesso livro com muitos,
        muitos capítulos…
        Figuras em sépia ou multicoloridas, não importa…
        Fatos vividos no decorrer da vida, no passar veloz dos anos,
        dos meses , das horas, dos minutos...
        Está tudo lá…mergulhado nesse imenso e infinito
        mar misterioso que é o tempo!...

                                                                       ( Célia Cavalcanti)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Momentos

Neste momento,
neste exato momento é só o que quero:
ficar só.
Só com a minha dor,
com o meu sonho impossível.
Não quero palavras de consolo,
de explicação ou solução,
só quero parar e contemplar
nem pensar em nada
Nem passado ou futuro
me interessam, só este momento…
Quero sorvê-lo lentamente
e nele mergulhar.
O que virá depois?
Não sei, o tempo dirá.
Por ora basta,
eu faço a minha parte:
calar.


Angela Reis
Professora, psicóloga nascida
No Rio de Janeiro

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Vidas vividas.



Quis voltar a mim, não conseguí...
Hoje, sou somente lembranças do que fui...
Saudades tenho de mim , as vezes tanta que me sinto voltar outra vez!...
Com qual ficar, você ou eu?
Você era mais forte do que eu.
Você era mais jovem também.
Muito mais alegre, espontânea, talvez até mais inocente!
E eu?_ O que diz você de mim?
_Posso lhe dizer que você é aquilo que eu deveria ter sido desde o início... Só pra não fazer você sofrer.
...............................................................
Não temos pra onde correr, somos etapas de vidas vividas.
Amo você do jeito que você é.

                                                                                    (5-05-06. Marcante)

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O que restou

… E quando da morte fez-se vida
Do pranto,a alegria…
Da mágoa, o perdão:
A noite se fez dia…
…E quando viver teve sentido
O apelo teve ouvido
O amor se fez presente:
A dor se fez ausente…
…E quando tudo enfim era harmonia
O belo, a cada instante renascia;
O sonho se acabou.
O amor se foi aos poucos, dia a dia………
.................................................................
E quando só, sem ter onde pousar as mãos,
Sem mais saber onde firmar os pés,
Em frente, me encontrei com a solidão,
Senti que, mesmo assim, valeu a pena.
Restou-me uma lembrança eterna do amigo.
Restou-me uma saudade atroz que em mim abrigo

        (Célia Cavalcanti)  Abril 1989

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Pedras no Caminho?


Fernando Pessoa

(Lisboa, 13 de Junho de 1888 - Lisboa, 30 de Novembro de 1935)

 Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?


Guardo todas, um dia vou construir um castelo...



Saber Viver

Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,

Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura...
Enquanto durar.

                                         Cora Coralina