Quintana

Um poema que não te ajude
a viver e não
saiba preparar-te para a
morte não tem
sentido: é um pobre
chocalho de palavras.

Mário Quintana

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O que restou

… E quando da morte fez-se vida
Do pranto,a alegria…
Da mágoa, o perdão:
A noite se fez dia…
…E quando viver teve sentido
O apelo teve ouvido
O amor se fez presente:
A dor se fez ausente…
…E quando tudo enfim era harmonia
O belo, a cada instante renascia;
O sonho se acabou.
O amor se foi aos poucos, dia a dia………
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E quando só, sem ter onde pousar as mãos,
Sem mais saber onde firmar os pés,
Em frente, me encontrei com a solidão,
Senti que, mesmo assim, valeu a pena.
Restou-me uma lembrança eterna do amigo.
Restou-me uma saudade atroz que em mim abrigo

        (Célia Cavalcanti)  Abril 1989